Exigidas desculpas à família de oficial expulso
O director da Organização Shavei Israel – que auxilia qualquer pessoa com raízes judaicas a reassumir esta religião – apelou ontem ao Governo português para “corrigir a injustiça” cometida com o capitão Barros Basto, expulso do Exército em 1943.
“Gostávamos que o Governo pedisse desculpas à família de Barros Basto e esperamos que em breve seja feita justiça”, disse Michael Freund, que está no Porto para participar até domingo no 1º Congresso dos Marranos.
Em 1943,
Artur de Barros Basto, que conseguiu edificar a sinagoga judaica que existe no Porto, é considerado “o apóstolo dos Marranos” – descendentes de judeus cujos antepassados foram forçados a converter- se ao cristianismo para permanecer em Portugal no reinado de D. Manuel II.
Barros Basto dedicou-se à missão de encorajar os marranos, ou “cristãos-novos”, a “sair do armário” e abertamente voltar a assumir a condição de judeu, fundando em 1938, um ano antes do início da II Guerra Mundial, a sinagoga do Porto.
Michael Freund lembrou ainda que a sua organização já enceta esforços há cerca de dois anos para que o Governo português honre Barros Basto, cujo trabalho de despertar de consciências dos judeus é hoje seguido. “Resgatar” aos “cristãos-novos” a sua identidade judaica é o grande objectivo deste 1º Congresso.