Não Perder a Cabeça em Purim

Para responder esta questão, devemos voltar para a história do primeiro pai desta nação, Avraham Avinu. D´us ordena a Avraham a circuncidar-se, mas ao invés de fazê-lo imediatamente, Avraham foi se aconselhar com três de seus amigos mais próximos. Dois deles sugeriram que ele não o fizesse e, apenas o terceiro disse-lhe para não se preocupar e cumprir com a ordem do Criador, sem medo (Bereshit Rabá 42:8). Isso é muito intrigante! Em primeiro lugar, por que Avraham resolve se aconselhar quando recebe esta ordem, algo que não o faz em nenhuma dos demais comandos que recebe de Dús?! E uma vez já pedido o conselho, por que Avraham não escuta a maioria de seus amigos e não circuncida-se?
Consideremos, antes, a situação que precede a este Comando Divino: o Criador havia realizado um pacto com Avraham, o famoso, “Brit Ben HaBetarim”. Este mesmo criador de todo o Universo o “convidou” a uma aliança, aonde Deu Sua palavra, lhe prometeu proteção, e lhe garantiu uma porção no Mundo Vindouro (Rashi, Bereishis 15: 1). O sentimento mais natural naquele momento seria de orgulho e presunção! Ele havia acabado de assinar um acordo com, nada mais e nada menos, que o Todo-Poderoso! Lhe foi garantido tudo o que é mais importante, tanto no âmbito físico como no espiritual. O que mais ele poderia querer? Como podia sair desta embriaguez que, certamente, lhe abateu após sentir tamanho êxito? Avraham não “perdeu a cabeça”, manteve a cabeça baixa e foi pedir um conselho, como dizendo: “Eu não sou importante”, pois o menor necessita conselhos. Ou seja, a Avraham não foi permitido se tornar arrogante. A prova é que Avraham não foi se aconselhar, por necessidade, e sim para humilhar-se, uma vez que ignorou a opinião da maioria. Isto mostra, que seu único interesse era diminuir-se em seus próprios olhos e não sentir-se importante. Portanto, o “conselho” de seus amigos é completamente irrelevante (pois de qualquer maneira ele tinha a intenção de realizar a vontade do Todo-Poderoso, como o fez toda a sua vida), o importante para ele, era, na verdade, o ato de pedir um conselho.
Voltando a Haman, assim lhe disseram, sua esposa e seus conselheiros: “Caso Mordechai seja um verdadeiro descendente de Avraham, que se rebaixou, de modo a não ficar convencido, então você não poderá ir contra ele… no entanto, se ele é como qualquer outro homem, que depois de ser exaltado e elevado, por ter usado o cavalo e as roupas do rei, se enche de orgulho, com certeza você poderá ir contra ele, que, você prevalecerá”. A realidade era que Mordechai sabia que o segredo era não deixar o sucesso subir à cabeça, assim como nossos Sábios que, após desfilar pela cidade como um herói, ele voltou a vestir seu saco (uma roupa que desperta a Teshuva – despertar espiritual) e voltou a jejuar (16a – Tratado de Megilá). Em outras palavras, Mordechai não se vangloriou de sua nova posição.
Uma boa semana e um Feliz Purim!!
Extraído da Drashá do Rabino Michael Perets