A Histórica Sinagoga Portuguesa de Amsterdã
Mês passado estive de visita em Amsterdã na Holanda e tive a oportunidade de conhecer a linda Esnoga (Sinagoga, em ladino), a sinagoga portuguesa construída em 1675, pela comunidade Sefaradita da cidade, comunidade esta que chegou a Holanda principalmente, procurando escapar da Inquisição. Me emocionei ao poder colocar meu Tefilin no local que representava a força e a fé deste povo milenar. Exemplo de uma comunidade que passou por momentos tão difíceis, desde a Inquisição ate o Holocausto, e mesmo assim, nunca esqueceram suas tradições, e não apenas construíram uma casa para D’us neste mundo, como a transformam numa das sinagogas mais bonitas que visitei!
De Portugal à Amsterdã
De 1580 a 1640, em Portugal, ainda funcionava os Tribunais da Inquisição. Neste período houve uma imigração maciça de judeus portugueses, assim como de judeus espanhóis, para os Países Baixos. Assim, com a chegada de judeus em Amsterdã foram se formando algumas comunidades, e em 1622 já havia três importantes congregações. A primeira, que surgiu por volta de 1610, Bet Jacob, mais tarde a Newe Shalom, que possuía um caráter mais hispânico, e por fim a comunidade Bet Israel. As três finalmente se uniram em 1639 para dar origem a “Congregação Portuguesa Israelita de Amsterdão”, Talmud Tora, que ainda existe com o mesmo nome.
Em 1670 foi decidido pela congregação que a pequena sinagoga antiga seria demolida para dar lugar a uma nova construção. O planejamento de Elias Bouman que foi o escolhido. Este baseando-se no Templo de Jerusalém e nas construções da elite de Amsterdã da época, propôs construir uma grande sinagoga central cercada de uma construção menor, que daria espaço para quartos e depósitos. E assim foi feito. Acima da porta principal da sinagoga lê-se em letras hebraicas douradas o versículo do salmos: “Mas eu, pela abundancia de Vosso amor, entrarei em Vossa casa.” Além do sentido próprio, estas palavras, por meio de estrelas colocadas acima de certas letras, denotam o ano do calendário judaico em que o letreiro foi colocado (5432 = 1672) e o nome de um dos fundadores, o rabino ou chacham (sábio) Aboab.Mês passado estive de visita em Amsterdã na Holanda e tive a oportunidade de conhecer a linda Esnoga (Sinagoga, em ladino), a sinagoga portuguesa construída em 1675, pela comunidade Sefaradita da cidade, comunidade esta que chegou a Holanda principalmente, procurando escapar da Inquisição. Me emocionei ao poder colocar meu Tefilin no local que representava a força e a fé deste povo milenar. Exemplo de uma comunidade que passou por momentos tão difíceis, desde a Inquisição ate o Holocausto, e mesmo assim, nunca esqueceram suas tradições, e não apenas construíram uma casa para D’us neste mundo, como a transformam numa das sinagogas mais bonitas que visitei!
O primeiro rabino das Américas
O rabino, cabalista e escritor, Isaac Aboab da Fonseca, natural de Beira Alta, Portugal, era filho de judeus marranos que foram forçados a se converter ao Cristianismo. Quando ele tinha apenas 7 anos a família se mudou a Amsterdã aonde puderam voltar a professar a fé judaica. Em 1623, com apenas 18 anos, Isaac foi apontado rabino da comunidade Bet Israel, e em 1642 foi enviado para ser rabino da comunidade Kahal Zur Israel na colônia holandesa de Recife, Pernambuco, no Brasil. Sendo, dessa forma, considerado por alguns como o primeiro rabino das Américas. Quando os portugueses reconquistaram Pernambuco, o Rabino Aboab voltou a Amsterdã com parte de sua comunidade, outra parte imigrou para a America do Norte e foram parte dos fundadores da cidade de Nova Iorque. Em 1656, foi nomeado rabino chefe da comunidade sefaradi dos Países Baixos e esteve entre os rabinos que excomungaram da comunidade o filosofo Baruch Spinoza. O Rabino Isaac Aboab da Fonseca foi um dos principais fundadores da Esnoga, Sinagoga Portuguesa de Amsterdã e uma das principais figuras da comunidade até seu falecimento em 1693.
A Esnoga
A grande Esnoga tem espaço para 1200 homens sentados e 440 mulheres, que sentam na parte superior da sinagoga e foi conservada com a mesma estrutura até hoje. A sinagoga possui algumas curiosidades. Uma das mais interessantes, na minha opinião, é a falta de eletricidade. A Esnoga é iluminada por centenas de velas posicionadas em castiçais espalhados pelo ambiente. Outro detalhe é o Hechal (armário dos rolos da Lei) e a teba (onde o Hazan, cantor que leva as rezas, se posiciona) são feitos de madeira de jacarandá, importada do Brasil por um de seus freqüentadores, Moises Curiel.
Os Judeus de Amsterdã
Até a ocupação Nazista em 1940, os judeus desfrutavam de uma liberdade de vivencia, culto e expressão muito grande. Formaram-se na comunidade banqueiros, comerciantes, artistas, filósofos, rabinos e eruditos aos montes e estes desempenharam um papel chave no desenvolvimento econômico e cultural dos Países Baixos. Antes da guerra, viviam nos Países Baixos cerca de 140.000 judeus, sendo 4.300 de origem “portuguesa”. Após a guerra, apenas 20.000 judeus haviam sobrevivido, 800, “portugueses”. Hoje se estima que somente 700 façam parte da congregação.
Amsterdã, além de ser uma linda e curiosa cidade, possui uma rica cultura e tradição judaica. Assim recomendo fortemente aqueles que tiverem a oportunidade algum dia, de fazer uma visitinha a esta cidade fenomenal, no caminho para Israel!











