{"id":137717,"date":"2021-05-27T16:19:14","date_gmt":"2021-05-27T14:19:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.shavei.org\/blog\/2021\/05\/27\/antes-que-se-esqueca-o-idioma-parte-1\/"},"modified":"2021-05-27T16:19:14","modified_gmt":"2021-05-27T14:19:14","slug":"antes-que-se-esqueca-o-idioma-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.shavei.org\/pt-br\/blog\/2021\/05\/27\/antes-que-se-esqueca-o-idioma-parte-1\/","title":{"rendered":"Antes que se esque\u00e7a o idioma \u2013 Parte 1"},"content":{"rendered":"<p><strong>Istambul, Turqu\u00eda<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 o s\u00e9culo passado, Turquia era o lar de uma grande comunidade judaica e o centro vivo da cultura ladina, que tem sua origem na Espanha. 500 anos ap\u00f3s o grande apogeu, em Istambul sentem tanto a decad\u00eancia como o temor.<\/p>\n<p>Existem aqueles que descrevem a hist\u00f3ria judaica como uma escada que se encontra apoiada na terra e sua parte superior chega at\u00e9 o c\u00e9u. A escada \u00e9 a analogia do povo judeu, o qual se encontra sempre em uma escada, as vezes sobe um degrau e as vezes desce dois. A exist\u00eancia judaica n\u00e3o \u00e9 plana e horizontal, mas sim vertical. Outros descrevem a exist\u00eancia judaica como um p\u00e9ndulo de um rel\u00f3gio que n\u00e3o para nem por um minuto, as vezes est\u00e1 em cima e as vezes est\u00e1 em baixo. Parece que tais descri\u00e7\u00f5es caracterizam o judaismo turco at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>No passado, os judeu foram bem recebidos no Imp\u00e9rio Turco Otomano; por\u00e9m agora, os judeus vivem no pa\u00eds turco, um pa\u00eds mu\u00e7ulmano-laico, com determinado temor por sua suguran\u00e7a. Em minha \u00faltima visita a Turquia vi a grande preocupa\u00e7\u00e3o com seguran\u00e7a que existe fora das sinagogas, nos edif\u00edcios comunit\u00e1rios e nos escrit\u00f3rios do Rabinato. O tema ficou ainda mais delicado ap\u00f3s os v\u00e1rios atentados que ocorreram nas sinagogas, entre eles, as duas vezes ocorridas no Beit Kenesset \u201cNeve Shalom\u201d. A situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a me levou ao passado, a \u00e9poca dos anussim de Espanha \u2013 de l\u00e1 chegaram os judeus \u00e0 Turquia, lugar onde poderiam viver como judeus com liberdade e sem temor.<\/p>\n<p>Os momentos mais importantes da hist\u00f3ria judeu-turca s\u00e3o, em particular, a chegada dos expulsos de Espanha no s\u00e9culo XV, a convers\u00e3o ao islamismo do falso messias Shabetai Tzvi no s\u00e9culo XVII e os atentados as sinagogas no seculo XX.<\/p>\n<p>Nem a chegada dos judeus de Espanha, nem a grande decep\u00e7\u00e3o que causou Shabetai Tzvi aos judeus de Turquia e ao mundo judaico, preocupam aos judeus locais, mas j\u00e1 o terceito problema, a seguran\u00e7a pessoal e f\u00edsica, esse sim. Apesar da comunidade viver com seus vizinhos mu\u00e7ulmanos em relativa paz a cerca de 500 anos, hoje em dia n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil viver como uma minoria judaica num grande pa\u00eds mu\u00e7ulmano. A comunidade judaica \u00e9 certamente uma minoria na Turquia de hoje; a popula\u00e7\u00e3o geral, dos quais 99% s\u00e3o mu\u00e7ulmanos, conta com quase 70 milh\u00f5es de pessoas; a comunidade judaica de todo o pa\u00eds tem menos de 30 mil pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De onde prov\u00eam os judeus da Turquia<img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-27333 alignright\" src=\"https:\/\/casadosanussim.shavei.org\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/europa-haketia-300x138.jpg\" alt=\"europa-haketia\" width=\"300\" height=\"138\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a expuls\u00e3o dos judeus de Espanha e Portugal, o Sult\u00e3o Biazir II publicou um convite formal aos judeus para que viessem viver em seu territ\u00f3rio, e eles come\u00e7aram a chegar ao Imp\u00e9rio em grande n\u00famero. O Sult\u00e3o sonhou em transformar o Imp\u00e9rio Otomano em uma pot\u00eancia internacional e intercultural, e como parte desta tend\u00eancia se dirigiu aos centenas de milhares de judeus expulsos e lhes sugeriu viver em seu Imp\u00e9rio e desfrutar de completa liberdade de culto.<\/p>\n<p>O Imp\u00e9rio Otomano inclu\u00eda naqueles tempos n\u00e3o somente a Turquia, mas tamb\u00e9m a Gr\u00e9cia e parte dos Balc\u00e3s, como grande parte do Oriente M\u00e9dio. A oferta do Sult\u00e3o Biazir, deu nova esperan\u00e7a aos judeus sefaraditas perseguidos. Em 1492 o Sult\u00e3o ordenou aos dirigentes das prov\u00edncias do Imp\u00e9rio Otomano \u201cn\u00e3o negar a entrada aos judeus ou criar dificuldades, mas sim receb\u00ea-los com alegr\u00eda\u201d. Os judeus vieram e na Turquia se estabeleceram principalmente em Istambul, Esmirna e Edirne.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00eas chamam a Fernando o rei s\u00e1bio\u201d, disse o Sult\u00e3o, \u201cpor\u00e9m, ao expulsar os judeus, condenou sua terra a pobreza e a nossa a riqueza!\u201d Os judeus de fato de desempenharam em distintas tarefas no Imp\u00e9rio Otomano: os mu\u00e7ulmanos turcos n\u00e3o estavam interesados em empreendimentos comerciais e deixaram o com\u00e9rcio para as minorias religiosas. T\u00e3o pouco confiavam nos s\u00fabitos crist\u00e3os dos pa\u00edses que haviam conquistado fazia t\u00e3o pouco tempo atr\u00e1s, e por isso, naturalmente preferiam aos judeus.<\/p>\n<p>Os expulsos de Espanha e Portugal encontraram em Istambul uma grande comunidade de judeus Romagnotes (judeus que viviam no Imp\u00e9rio Bizantino e que cuidaram seus costumes ap\u00f3s a conquista do Imp\u00e9rio Otomano; de acordo a v\u00e1rios investigadores, estes judeus partiram da terra de Israel ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o do Segundo Templo, para a \u00c1sia Menor e os Balc\u00e3s), italianos e asquenazitas. A chegada dos sefaraditas mudou a composi\u00e7\u00e3o da comunidade. Tiveram cuidado em manter uma pol\u00edtica da boa vizinhan\u00e7a entre os distintos grupos, por\u00e9m as diferen\u00e7as culturais eram t\u00e3o grandes que n\u00e3o puderam arbitrar entre elas, tendo ocorrido apenas depois de muitos anos. Finalmente, os judeus Romagnotes foram os que se \u201cassimilaram\u201d dentre os judeus que chegaram de Espanha e adquiriram seus costumes.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, os expulsos de Espanha passaram a ser o grupo dominante e determinante na vida cultural, comercial e medicinal do pa\u00eds. Durante 300 anos depois da expuls\u00e3o, o \u00eaxito e a criatividade dos judeus Otomanos na Turquia e no resto dos pa\u00edses do Imp\u00e9rio estavam a um n\u00edvel muito parecido ao da Idade de Ouro na Espanha. Quatro cidades otomanas \u2013 Istambul, Esmirna, Safed e Salonica \u2013 converteram-se nos centros do juda\u00edsmo sefaradita.<\/p>\n<p>Uma das maiores inova\u00e7\u00f5es que os judeus trouxeram para o Imp\u00e9rio Otomano foi a imprensa. Em 1493, apenas um ano depois do ex\u00edlio de Espanha, David e Shemuel Ibn Najmias estabeleceram a primeira m\u00e1quina impresora hebraica em Istambul.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A cultura do Ladino<\/strong><\/p>\n<p>Os expulsos de Espanha, cuja l\u00edngua era o judeu-espanhol, n\u00e3o s\u00f3 levaram consigo sua rica cultura judaica ao Imp\u00e9rio Otomano, que chegou ao seu apogeu na \u00e9poca de ouro, sen\u00e3o tamb\u00e9m, o idioma que os acompanhou durante s\u00e9culos. Os judeus que chegaram a Turquia seguiram preservando sua l\u00edngua original, parecia ser como uma tentativa de fixar a sua origem judaico-espanhola em pleno Imp\u00e9rio Otomano. As centenas de anos de estadia na Turquia n\u00e3o foram suficientes ara que os poetas, os escritores, os exegetas e os rabinos adotassem a l\u00edngua turca; as obras foram escritas e transmitidas de forma completa em ladino.<\/p>\n<p>El origen del ladino se encuentra en el espa\u00f1ol antiguo y se encuentran integradas palabras y dialectos del hebreo y el arameo. Hay quienes distinguen entre el idioma original en el que hablaban los jud\u00edos de Espa\u00f1a, el judeo-espa\u00f1ol o el \u201cj\u2019udaismo\u201d, y el Ladino el cual se desarroll\u00f3 en especial luego de la expulsi\u00f3n de Espa\u00f1a y se transform\u00f3 en el idioma oficial de los jud\u00edos expulsados de los Balcanes, del imperio Otomano, del Norte de \u00c1frica y de todos lados a donde fueron llevados los expulsados de Espa\u00f1a.<\/p>\n<p>O ladino foi escrito com letra Rashi ou com letras hebraicas quadradas. As vezes se escrevia o ladino em letras latinas e as vezes em letras redondas o qual era muito aceito em distintas comunidades espanholas.<\/p>\n<p>Lamentavelmente o ladino come\u00e7a a desaparecer. Os jovens j\u00e1 n\u00e3o o falam, nem t\u00e3o pouco \u00e9 uma l\u00edngua falada. \u00c9 certo que se est\u00e1 tentando \u201crenovar\u201d o idioma, por\u00e9m de fato o principal uso da mesma ocorre em obras, no teatro, nas universidades, na liturgia, no folclore e na m\u00fasica.<\/p>\n<p>Os judeus da Turquia conseguiram preservar o idioma durante 500 anos, por\u00e9m no s\u00e9culo XX ocorreu uma grande e dram\u00e1tica mudan\u00e7a. A identidade dos judeus turcos como exilados de Espanha j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais preservada com tanto rigor.<\/p>\n<p>Os jovens da comunidade anseiam unir seu futuro com o futuro do pa\u00eds e tornarem-se turcos em todos os sentidos. Est\u00e1 claro que evitam falar o ladino publicamente. \u00c9 l\u00f3gico que os motivos de seguran\u00e7a influenciam. Em minha visita a Istambul adorava falar ladino com os anci\u00e3os da comunidade e os adultos; eles ainda desfrutam do ladino e se orgulham de poder falar o idioma que os une a seu passado.<\/p>\n<p>Continuar\u00e1\u2026<\/p>\n<p><!--:--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Istambul, Turqu\u00eda At\u00e9 o s\u00e9culo passado, Turquia era o lar de uma grande comunidade judaica e o centro vivo da cultura ladina, que tem sua origem na Espanha. 500 anos ap\u00f3s o grande apogeu, em Istambul sentem tanto a decad\u00eancia como o temor. 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