{"id":137715,"date":"2021-05-27T16:19:14","date_gmt":"2021-05-27T14:19:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.shavei.org\/blog\/2021\/05\/27\/a-vida-de-um-marrano-samuel-nunez-ribiero\/"},"modified":"2021-05-27T16:19:14","modified_gmt":"2021-05-27T14:19:14","slug":"a-vida-de-um-marrano-samuel-nunez-ribiero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.shavei.org\/pt-br\/blog\/2021\/05\/27\/a-vida-de-um-marrano-samuel-nunez-ribiero\/","title":{"rendered":"A vida de um marrano: Samuel Nu\u00f1ez Ribiero"},"content":{"rendered":"<p><!--:es--><strong><span style=\"font-size: small;\">Fonte: www.chabad.org.br<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: small;\">\u00a0<\/span><\/em><\/strong>Contaremos aqui a hist\u00f3ria de uma famosa fam\u00edlia de Marranos, cerca de duzentos anos ap\u00f3s a expuls\u00e3o da Espanha e Portugal.<\/p>\n<p>Os Marranos daqueles pa\u00edses, vivendo em constante terror, tinham apenas uma esperan\u00e7a: escapar para algum pa\u00eds amigo para jogar fora aquele odioso disfarce e viverem abertamente como judeus.<\/p>\n<p>Assim ocorria com a fam\u00edlia Nunez. Durante muitas gera\u00e7\u00f5es, esta fam\u00edlia mantivera sua f\u00e9 judaica em segredo, e alguns membros da fam\u00edlia tiveram morte violenta nas m\u00e3os da Inquisi\u00e7\u00e3o. (Clara Nunez foi queimada em Sevilha, Espanha, em 1632, e no mesmo ano Isabel e Helen Nunez tamb\u00e9m foram condenadas \u00e0 morte por sua lealdade \u00e0 f\u00e9 judaica). Um ramo da fam\u00edlia, que vivia em Portugal, estava entre as mais conhecidas fam\u00edlias nobres. Embora vivessem quase 250 anos depois da Expuls\u00e3o da Espanha e Portugal, esta fam\u00edlia ainda observava secretamente a religi\u00e3o judaica. Era liderada por Samuel Nunez, nascido em Portugal, e que se tornara um famoso m\u00e9dico. Fora nomeado M\u00e9dico da Corte do Rei de Portugal. Al\u00e9m dos servi\u00e7os que prestava \u00e0 fam\u00edlia real, toda a nobreza considerava um privil\u00e9gio ser atendido por ele. O Dr. Nunez n\u00e3o era requisitado apenas como profissional, como tamb\u00e9m era convidado a todos os eventos sociais importantes. Al\u00e9m disso, quando ele organizava um banquete ou um baile em seu lindo pal\u00e1cio sobre o Rio Tejo, a elite da sociedade lisboeta estava entre seus convidados.<\/p>\n<p>O Dr. Nunez ainda era jovem quando atingiu o auge do seu sucesso profissional e nos c\u00edrculos sociais. Isso naturalmente provocou inveja entre os seus competidores, e a Inquisi\u00e7\u00e3o deu a eles uma excelente oportunidade de tentar prejudic\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Embora na superf\u00edcie o Dr. Nunez fosse um cat\u00f3lico t\u00e3o bom quanto qualquer outro crist\u00e3o que freq\u00fcentasse a igreja, os l\u00edderes da Inquisi\u00e7\u00e3o registraram os avisos dados pelos inimigos do m\u00e9dico. Eles conseguiram infiltrar um &#8220;agente&#8221; na casa da fam\u00edlia Nunez, disfar\u00e7ado de criado, para informar sobre o que acontecia no c\u00edrculo familiar.<\/p>\n<p>Finalmente o agente relatou que a fam\u00edlia Nunez estava definitivamente praticando a religi\u00e3o judaica em segredo, pois todos os s\u00e1bados, eles se recolhiam a uma sinagoga nos subterr\u00e2neos do pal\u00e1cio, onde jogavam fora o disfarce de crist\u00e3os e rezavam como verdadeiros judeus.<\/p>\n<p>Embora os l\u00edderes da Inquisi\u00e7\u00e3o conseguissem prender toda a fam\u00edlia Nunez e coloc\u00e1-la na pris\u00e3o, sua alegria durou pouco, pois o Dr. Nunez era muito popular e tinha amigos influentes entre a nobreza. Estes convenceram o rei a libertar Dr. Nunez e sua fam\u00edlia da pris\u00e3o e permitir que se instalassem novamente no pal\u00e1cio como M\u00e9dico da Corte.<\/p>\n<p>Geralmente o rei era completamente influenciado por seu &#8220;padre confessor&#8221; \u2013 um sacerdote cat\u00f3lico, mas nesse caso ele n\u00e3o lhe contou sua decis\u00e3o (apoiado por toda a fam\u00edlia real), dando ordens para que a fam\u00edlia Nunez fosse libertada imediatamente e pudesse voltar \u00e0 sua resid\u00eancia \u00e0s margens do Tejo.<\/p>\n<p>Havia uma condi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, que empanava a alegria da fam\u00edlia Nunez durante sua liberta\u00e7\u00e3o \u2013 dois funcion\u00e1rios da Inquisi\u00e7\u00e3o deveriam residir com a fam\u00edlia para certificar que eles n\u00e3o praticavam a religi\u00e3o judaica. Isso, obviamente, fez o Dr. Nunez planejar uma fuga. Mas como conseguir isso sob os olhos sempre vigilantes dos inquisidores?<\/p>\n<p>O Dr. Nunez teve uma id\u00e9ia ousada e brilhante. Organizou um banquete e convidou todas as pessoas importantes da cidade. Entre essas havia muitos funcion\u00e1rios de altos cargos que, embora suspeitassem dele no tocante \u00e0 f\u00e9, ficaram felizes em aceitar o convite para o banquete, pois era considerado um privil\u00e9gio estar presente.<\/p>\n<p>O banquete terminou e o baile estava no auge quando o Dr. Nunez mandou a orquestra parar e fez a seguinte declara\u00e7\u00e3o chocante:<\/p>\n<p>&#8220;Meus amigos! Tenho uma bela surpresa para voc\u00eas! Est\u00e3o todos convidados a embarcarem em meu iate, que foi preparado para o vosso prazer. As divers\u00f5es da noite continuar\u00e3o ali, com o Capit\u00e3o ao vosso servi\u00e7o. Por aqui, Senhoras e Cavalheiros!&#8221;<\/p>\n<p>Com estas palavras, Dr. Nunez saiu da sala, e todos os convidados o seguiram alegremente, deliciados com a surpresa.<\/p>\n<p>Todos apanharam seus casacos e, conversando com anima\u00e7\u00e3o, embarcaram no iate que balan\u00e7ava suavemente no embarcadouro do pal\u00e1cio.<\/p>\n<p>O que os convidados n\u00e3o sabiam era que uma surpresa n\u00e3o muito agrad\u00e1vel os esperava. Somente uma hora depois do embarque, eles perceberam que o iate estava se movendo! E a julgar pela velocidade, n\u00e3o era um iate, mas um barco enorme. Sim, eles estavam navegando para longe da costa de Portugal a toda velocidade, rumando para as praias mais amig\u00e1veis da Inglaterra. Bem, amig\u00e1veis para a fam\u00edlia Nunez. O m\u00e9dico arranjara cada detalhe com a ajuda dos seus parentes, os Mendez, um dos quais tinha se casado com a filha de Nunez. Este conseguira vender em segredo parte de suas propriedades e outros bens, e tinha transferido o dinheiro para a Inglaterra atrav\u00e9s de mensageiros secretos. Assim ele conseguiu contratar um capit\u00e3o brit\u00e2nico para levar seu barco ao Rio Tejo na noite do banquete, preparado para receber muitos passageiros.<\/p>\n<p>O Dr. Nunez assegurou aos convidados que, assim que chegassem \u00e0 costa inglesa, o barco voltaria imediatamente com eles para Portugal. Quanto ao Dr. Nunez, os convidados tinham de admitir que n\u00e3o era sua culpa o fato de ser obrigado pela Inquisi\u00e7\u00e3o a deixar o pa\u00eds que estiveram t\u00e3o pronto a aceitar seus servi\u00e7os e seu conhecimento, mas n\u00e3o lhe permitira que ele e a fam\u00edlia vivessem segundo sua f\u00e9 e consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Conforme fora arranjado com anteced\u00eancia, a fam\u00edlia Nunez foi transferida para outro barco que estava deixando a Inglaterra com outros marranos a caminho da Ge\u00f3rgia, na Am\u00e9rica, para estabelecer uma col\u00f4nia. No ver\u00e3o de 1733, os Marranos, liderados pela fam\u00edlia Nunez, chegaram a Savan\u00e1, na Ge\u00f3rgia. Foram calorosamente recebidos pelo governador ingl\u00eas, James Oglethorpe, um homem tolerante e compreensivo.<\/p>\n<p>Quando os administradores do territ\u00f3rio em Londres souberam que Oglethorpe tinha doado terra aos refugiados judeus, e que eles constru\u00edram casas e estavam bem estabelecidos, enviaram um protesto indignado ao Governador, dizendo: &#8220;N\u00e3o queremos que a nova terra se torne uma col\u00f4nia judaica!&#8221;<br \/>\nO Governador, por\u00e9m, era um homem justo que percebera como tinha sorte de contar com refugiados t\u00e3o valiosos. O Dr, Nunez certamente seria \u00fatil naquelas vastid\u00f5es semi-desertas, pois poucos profissionais se aventuravam a viver naquele pa\u00eds pioneiro. Os outros refugiados, tamb\u00e9m, tinham levado seus of\u00edcios e riquezas com eles, mas mesmo que n\u00e3o tivessem, o bondoso Governador n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de fazer os rec\u00e9m-chegados sofrerem persegui\u00e7\u00e3o no novo pa\u00eds. Eles j\u00e1 tinham sofrido bastante em suas terras de origem.<\/p>\n<p>Quando os administradores em Londres continuaram a insistir com Oglethorpe para expulsar os colonos judeus, ele fingiu levar a ordem em considera\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m os registros daqueles tempos, ainda preservados em Savan\u00e1, demonstram que n\u00e3o apenas ele n\u00e3o expulsou os judeus, como ao contr\u00e1rio, concedeu-lhes ainda mais terras e privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria nos conta que o Dr. Nunez e sua fam\u00edlia mais tarde se mudaram para Charleston, na Carolina do Sul. Por\u00e9m alguns membros da fam\u00edlia permaneceram em Savan\u00e1, cultivando as seis ricas propriedades que receberam do Governador Oglethorpe, pelos valiosos servi\u00e7os prestados \u00e0 col\u00f4nia pela fam\u00edlia Nunez. Posteriormente, o genro do Dr. Samuel Nunez mudou-se para Nova York e se tornou o l\u00edder espiritual da rec\u00e9m-fundada comunidade portuguesa. Um descendente deste ramo da fam\u00edlia do Dr. Samuel Nunez Ribeiro foi prefeito de Nova York, Dr. Manuel Mordechai Noah, idealizador de um dos projetos de estabelecer uma col\u00f4nia judaica na Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Com certeza concordaremos que a fam\u00edlia daquele nobre e corajoso m\u00e9dico, temente a D&#8217;us, Dr. Samuel Nunez Ribeiro, merece um local de destaque na Hist\u00f3ria Judaica.<!--:--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: www.chabad.org.br \u00a0Contaremos aqui a hist\u00f3ria de uma famosa fam\u00edlia de Marranos, cerca de duzentos anos ap\u00f3s a expuls\u00e3o da Espanha e Portugal. 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