{"id":137593,"date":"2021-05-27T16:16:19","date_gmt":"2021-05-27T14:16:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.shavei.org\/blog\/2021\/05\/27\/historia-da-rainha-esther-em-literatura-de-cordel\/"},"modified":"2021-05-27T16:16:19","modified_gmt":"2021-05-27T14:16:19","slug":"historia-da-rainha-esther-em-literatura-de-cordel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.shavei.org\/pt-br\/blog\/2021\/05\/27\/historia-da-rainha-esther-em-literatura-de-cordel\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Rainha Esther em Literatura de Cordel"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quem poderia imaginar! A hist\u00f3ria de Purim contada em prosa e verso na literatura de cordel do nordeste brasileiro? Essa realmente me pegou de surpresa.<\/strong><\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 em realidade a literatura de cordel? O velho Aur\u00e9lio diz o seguinte: Romanceiro popular nordestino, em grande parte contido em folhetos pobremente impressos e expostos \u00e0 venda pendurados em cordel, nas feiras e mercados. (Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio Buarque de Holanda).<\/p>\n<p>Trazida pelos portugueses que aportavam por volta de 1850 em terras tropicais, com o passar dos anos, essa literatura foi aos poucos se afirmando especialmente pelo seu baixo custo e hoje \u00e9 encontrada praticamente em estados do nordeste como Pernambuco, Cear\u00e1, Alagoas, Para\u00edba e Bahia.<\/p>\n<p>Muitas vezes repleto de um belo tom humor\u00edstico e tamb\u00e9m por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da regi\u00e3o, a literatura dos livretos pendurados em cordas tipo barbante, da\u00ed o nome Literatura de Cordel, contagia a popula\u00e7\u00e3o nordestina e principalmente os turistas que por ali andam. Os principais assuntos retratados nos livretos s\u00e3o: festas, pol\u00edtica, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de hero\u00edsmo, milagres, morte de personalidades, etc.<\/p>\n<p>Pensando bem, a hist\u00f3ria da Rainha Esther \u00e9 sem d\u00favida um belo tema para um bom poeta da literatura de cordel desenvolver. Ela foi uma hero\u00edna do povo judeu, com coragem e muita determina\u00e7\u00e3o enfrentou a poss\u00edvel morte ao apresentar-se diante do Rei sem ter sido autorizada com o \u00fanico intuito de salvar o seu povo do decreto perverso do ministro Haman.<\/p>\n<p>Acrescentaria ainda um outro ponto importante. Talvez pela conota\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o e pela facilidade de identifica\u00e7\u00e3o com os exilados que viviam na antiga P\u00e9rsia, Purim e sobretudo o jejum de Esther, foram enormemente populares entre os Bnei Anussim. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que os conversos ib\u00e9ricos viam Esther como a libertadora do povo judeu. Vale lembrar, que a rainha Esther conseguiu ajudar seu povo justamente quando este se encontrava na clandestinidade, ocultando sua pr\u00f3pria identidade judaica. O que, em outros contextos, poderia apresentar um desafio \u00e0 normatividade judaica, exatamente o fato de sua clandestinidade, \u00e9 que despertou nos Bnei Anussim, um alto grau de identifica\u00e7\u00e3o com esta Festa.<\/p>\n<p>No Ha-La<a href=\"https:\/\/somber-ball.flywheelsites.com\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/esther.gif\" rel=\"attachment wp-att-473\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-473\" src=\"https:\/\/somber-ball.flywheelsites.com\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/esther.gif\" alt=\"- ESTHER\" width=\"199\" height=\"295\" \/><\/a>pid n\u00famero 109 de 1942, o jornal organizado e elaborado para os ent\u00e3o descobertos criptojudeus nas montanhas do norte de Portugal pelo idealizador da Obra do Resgate, Capit\u00e3o Arthur Carlos de Barros Basto, encontramos um artigo de autoria de Jos\u00e9 A. Pereira Gabriel no qual ele escreve: \u201cSejamos como Mordechai; n\u00e3o tenhamos receio de nos dizermos judeus, pois a nossa lei, o nosso ideal, \u00e9 de todos o mais perfeito, e o que moralmente a todos se imp\u00f5e. N\u00e3o tenhamos receio de divulgar a nossa cren\u00e7a religiosa&#8230; isto \u00e9 admir\u00e1vel!\u201d.<\/p>\n<p>Exatamente por isso a Festa de Purim \u00e9 sem d\u00favida uma das mais conhecidas e preservadas pelos Bnei Anussim durante s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Mas o que faria uma poeta de literatura de cordel se interessar por essa hist\u00f3ria e como ele a conhecia?<\/p>\n<p>O despertar dos Bnei Anussim pelo mundo \u00e9 um fato consumado hoje em dia. No Brasil, e principalmente no nordeste, historiadores e pesquisadores afirmam que a presen\u00e7a de seus descentes \u00e9 numerosa j\u00e1 que um percentual respeit\u00e1vel dos brancos portugueses que vieram para colonizar o pa\u00eds eram crist\u00e3os-novos que escondiam sua verdadeira f\u00e9, eram portanto, criptojudeus. Seus descendentes est\u00e3o por a\u00ed e com certeza muitos deles enraizados como trovadores, compositores e poetas da literatura de cordel.<\/p>\n<p>Assim, j\u00e1 estou mais tranq\u00fcilo e na verdade n\u00e3o t\u00e3o surpreso de encontrar a Hist\u00f3ria da Rainha Esther em Literatura de Cordel.<\/p>\n<p>E com voc\u00eas&#8230; a \u201cHist\u00f3ria da Rainha Ester\u201d do Poeta da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Arievaldo Viana Lima.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Supremo Ser Incriado<\/em><br \/>\n<em>Santo Deus Onipotente<\/em><br \/>\n<em>Manda teus raios de luz<\/em><br \/>\n<em>Ilumina a minha mente<\/em><br \/>\n<em>Para transformar em versos<\/em><br \/>\n<em>Uma hist\u00f3ria comovente<\/em><br \/>\n<em>Falo da vida de Ester<\/em><br \/>\n<em>Que na B\u00edblia est\u00e1 descrita<\/em><br \/>\n<em>Era uma judia virtuosa<\/em><br \/>\n<em>E extremamente bonita<\/em><br \/>\n<em>Por obra e gra\u00e7a divina<\/em><br \/>\n<em>Teve venturosa dita<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Foi durante o cativeiro<\/em><br \/>\n<em>Do grande povo Judeu<\/em><br \/>\n<em>Um rei chamado Assuero<\/em><br \/>\n<em>Naqueles tempos viveu<\/em><br \/>\n<em>E com o nome de Xerxes<\/em><br \/>\n<em>Na Hist\u00f3ria apareceu.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>O rei Assuero tinha<\/em><br \/>\n<em>Pelo costume pag\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Um har\u00e9m com muitas musas<\/em><br \/>\n<em>As mais belas da na\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Mas era a rainha Vasti<\/em><br \/>\n<em>Dona do seu cora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Por\u00e9m a rainha Vasti<\/em><br \/>\n<em>Caiu no seu desagrado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Mardoqueu disse \u00e0 sobrinha:<\/em><br \/>\n<em>&#8211; N\u00e3o revele a sua vida!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>&#8211; Pois nosso povo \u00e9 cativo<\/em><br \/>\n<em>E vive na opress\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Talvez o rei n\u00e3o a queira<\/em><br \/>\n<em>Vendo a sua condi\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 melhor guardar segredo<\/em><br \/>\n<em>Sobre seu povo e na\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>N\u00e3o pretendo alongar-me,<\/em><br \/>\n<em>Por\u00e9m vos digo o que sei:<\/em><br \/>\n<em>Mardoqueu era versado<\/em><br \/>\n<em>Na ci\u00eancia e na Lei<\/em><br \/>\n<em>Trabalhava no pal\u00e1cio<\/em><br \/>\n<em>Era empregado do rei.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Mardoqueu um dia soube<\/em><br \/>\n<em>Que dois guardas do port\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Tramavam secretamente<\/em><br \/>\n<em>Perversa conspira\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Eram Bagat\u00e3 e Tares<\/em><br \/>\n<em>Homens de mau cora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Tramavam matar o rei<\/em><br \/>\n<em>E Mardoqueu descobriu<\/em><br \/>\n<em>A conversa dos dois homens<\/em><br \/>\n<em>Ele sem querer ouviu<\/em><br \/>\n<em>Foi avisar a Ester<\/em><br \/>\n<em>E ela ao rei preveniu.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Assuero indignado<\/em><br \/>\n<em>Com esta conspira\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Mandou ligeiro prender<\/em><br \/>\n<em>Os dois guardas do port\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Eles descobriram tudo<\/em><br \/>\n<em>Quando os p\u00f4s em confiss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Os dois guardas receberam<\/em><br \/>\n<em>Um castigo exemplar<\/em><br \/>\n<em>Provada a sua trai\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>O rei os manda enforcar<\/em><br \/>\n<em>Depois mandou os escribas<\/em><br \/>\n<em>Em seus anais registrar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Mardoqueu perante o rei<\/em><br \/>\n<em>Subiu muito de conceito<\/em><br \/>\n<em>Deu-lhe o rei um alto posto<\/em><br \/>\n<em>Por ser honrado e direito<\/em><br \/>\n<em>Por isso era invejado<\/em><br \/>\n<em>Por Aman, um mau sujeito.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Este Aman de quem vos falo<\/em><br \/>\n<em>Era o Primeiro Ministro<\/em><br \/>\n<em>Um dos homens mais perversos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Sem ele pr\u00f3prio chamar<\/em><br \/>\n<em>Por um decreto real<\/em><br \/>\n<em>Manda na hora enforcar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Deixemos aqui Ester<\/em><br \/>\n<em>Lamentando pesarosa<\/em><br \/>\n<em>Vamos tratar de Aman<\/em><br \/>\n<em>Criatura orgulhosa<\/em><br \/>\n<em>E saber o que tramava<\/em><br \/>\n<em>Esta cobra venenosa.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Disse ele a Assuero:<\/em><br \/>\n<em>&#8211; H\u00e1 um povo no reinado<\/em><br \/>\n<em>Que tem um costume estranho<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o cumpre nenhum mandado<\/em><br \/>\n<em>Que fira algum mandamento<\/em><br \/>\n<em>Por seu Deus determinado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>&#8211; Constitui um mau exemplo<\/em><br \/>\n<em>Para outros povos e assim<\/em><br \/>\n<em>Considero que este povo<\/em><br \/>\n<em>Viver conosco \u00e9 ruim<\/em><br \/>\n<em>Eu quero a tua licen\u00e7a<\/em><br \/>\n<em>Porque quer dar-lhes fim.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Lavrou-se ent\u00e3o o decreto<\/em><br \/>\n<em>Do exterm\u00ednio judeu<\/em><br \/>\n<em>Aman pegou uma c\u00f3pia<\/em><br \/>\n<em>E em pra\u00e7a p\u00fablica leu<\/em><br \/>\n<em>Somente por ter inveja<\/em><br \/>\n<em>Da gl\u00f3ria de Mardoqueu.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Naquela noite Assuero<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o podendo dormir mais<\/em><br \/>\n<em>Mandou chamar seus escribas<\/em><br \/>\n<em>Para lerem os editais<\/em><br \/>\n<em>Entre estes documentos<\/em><br \/>\n<em>Encontravam-se os Anais.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>O leitor sabe que o rei<\/em><br \/>\n<em>Foi salvo de um atentado<\/em><br \/>\n<em>Por dois porteiros teria<\/em><br \/>\n<em>Sido ele assassinado<\/em><br \/>\n<em>Se n\u00e3o fosse Mardoqueu<\/em><br \/>\n<em>Ter o caso desvendado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Pergunta ent\u00e3o Assuero<\/em><br \/>\n<em>Depois que o escriba leu<\/em><br \/>\n<em>Os anais onde constavam<\/em><br \/>\n<em>Os feitos de Mardoqueu:<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Me diga qual foi o pr\u00eamio<\/em><br \/>\n<em>Que este homem recebeu?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>E pelas ruas de Susa<\/em><br \/>\n<em>Foi Mardoqueu aclamado<\/em><br \/>\n<em>Vestindo as roupas reais<\/em><br \/>\n<em>Num bom cavalo montado<\/em><br \/>\n<em>E pelo ministro Aman<\/em><br \/>\n<em>O ginete era puxado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>O leitor deve lembrar<\/em><br \/>\n<em>Que Ester, a bela rainha<\/em><br \/>\n<em>J\u00e1 sabia do decreto<\/em><br \/>\n<em>E qual a sorte mesquinha<\/em><br \/>\n<em>Destinada a seu povo<\/em><br \/>\n<em>Por\u00e9m o medo a detinha.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>H\u00e1 dias que ela esperava<\/em><br \/>\n<em>Uma oportunidade<\/em><br \/>\n<em>Para falar com o rei<\/em><br \/>\n<em>Contar-lhe toda a verdade<\/em><br \/>\n<em>E, em favor de seu povo<\/em><br \/>\n<em>Implorar-lhe a piedade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Mas o tempo ia passando<\/em><br \/>\n<em>Como o rei n\u00e3o a chamou<\/em><br \/>\n<em>A dura pena de morte<\/em><br \/>\n<em>Decidida ela enfrentou<\/em><br \/>\n<em>Foi \u00e0 presen\u00e7a do rei<\/em><br \/>\n<em>L\u00e1 chegando se curvou.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Disse o rei: &#8211; Minha querida<\/em><br \/>\n<em>A lei n\u00e3o \u00e9 para ti<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o temas, pois n\u00e3o pretendo<\/em><br \/>\n<em>Fazer qualquer mal a si<\/em><br \/>\n<em>Diga-me logo o que queres<\/em><br \/>\n<em>Porque tu vieste aqui?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Disse ela: &#8211; Majestade<\/em><br \/>\n<em>Viva em paz, a governar<\/em><br \/>\n<em>O motivo que me trouxe<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 que vim te convidar<\/em><br \/>\n<em>Para um singelo banquete<\/em><br \/>\n<em>Que pretendo preparar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Este banquete eu vou dar<\/em><br \/>\n<em>Na noite de amanh\u00e3<\/em><br \/>\n<em>Quero apenas que convides<\/em><br \/>\n<em>O nosso ministro Aman<\/em><br \/>\n<em>Espero que n\u00e3o me faltes<\/em><br \/>\n<em>Espero com grande af\u00e3.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Disse o rei: &#8211; V\u00e1 sossegada<\/em><br \/>\n<em>Por certo, n\u00e3o faltarei<\/em><br \/>\n<em>Ao banquete que dar\u00e1s<\/em><br \/>\n<em>Como sem falta eu irei<\/em><br \/>\n<em>E o Primeiro Ministro<\/em><br \/>\n<em>Em breve convidarei.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Pois embora fosse bela<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o cumpriu um seu mandado<\/em><br \/>\n<em>Vasti, durante um banquete<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o quis ficar a seu lado.<\/em><br \/>\n<em>Com isto o Rei Assuero<\/em><br \/>\n<em>Bastante se enfureceu<\/em><br \/>\n<em>Mandou buscar outras mo\u00e7as<\/em><br \/>\n<em>E por fim ele escolheu<\/em><br \/>\n<em>Ester, a bela judia<\/em><br \/>\n<em>Sobrinha de Mardoqueu.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Porque os seus conselheiros<\/em><br \/>\n<em>Consideraram uma ofensa<\/em><br \/>\n<em>A bela rainha Vasti<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o vir a sua presen\u00e7a<\/em><br \/>\n<em>Perdeu a rainha o posto<\/em><br \/>\n<em>Foi esta a dura senten\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Ester era flor mais bela<\/em><br \/>\n<em>Filha do povo judeu<\/em><br \/>\n<em>Por\u00e9m perdeu os seus pais<\/em><br \/>\n<em>Logo depois que nasceu<\/em><br \/>\n<em>Foi viver na companhia<\/em><br \/>\n<em>De seu tio Mardoqueu.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Dentre as mulheres mais belas<\/em><br \/>\n<em>Ester foi a escolhida Pra ser a nova Rainha<\/em><br \/>\n<em>Pelo rei foi preferida<\/em><br \/>\n<em>De quem se teve registro<\/em><br \/>\n<em>Tramava contra os judeus<\/em><br \/>\n<em>Um plano mau e sinistro.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Por for\u00e7a de um decreto<\/em><br \/>\n<em>Queria que o povo inteiro<\/em><br \/>\n<em>Se ajoelhasse a seus p\u00e9s<\/em><br \/>\n<em>Sendo ele um embusteiro<\/em><br \/>\n<em>Queria ser adorado<\/em><br \/>\n<em>Igual ao Deus Verdadeiro.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Isso era um grande mart\u00edrio<\/em><br \/>\n<em>Para a ra\u00e7a dos judeus<\/em><br \/>\n<em>Porque s\u00f3 dobram os joelhos<\/em><br \/>\n<em>Em adora\u00e7\u00e3o a Deus<\/em><br \/>\n<em>Fato que desperta a ira<\/em><br \/>\n<em>Dos pag\u00e3os e dos ateus.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>O Ministro indignou-se<\/em><br \/>\n<em>Com todo o povo judeu<\/em><br \/>\n<em>Porque n\u00e3o obedeciam<\/em><br \/>\n<em>Aquele decreto seu<\/em><br \/>\n<em>Pensava em aniquilar<\/em><br \/>\n<em>A ra\u00e7a de Mardoqueu.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Mandou baixar um Edito<\/em><br \/>\n<em>Marcando a hora e o dia<\/em><br \/>\n<em>Para o povo ajoelhar-se<\/em><br \/>\n<em>Por\u00e9m Aman n\u00e3o sabia<\/em><br \/>\n<em>Que a bela rainha Ester<\/em><br \/>\n<em>Era uma princesa judia.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Mardoqueu leu o decreto<\/em><br \/>\n<em>Gelou de medo e pavor<\/em><br \/>\n<em>Comunicou a Ester<\/em><br \/>\n<em>Que Aman, em seu furor<\/em><br \/>\n<em>Queria exterminar<\/em><br \/>\n<em>A ra\u00e7a do Redentor.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>&#8211; Querida Ester, disse ele<\/em><br \/>\n<em>Venho triste lhe contar<\/em><br \/>\n<em>Que o Primeiro Ministro<\/em><br \/>\n<em>Jura por Marduk e Isthar<\/em><br \/>\n<em>Que o nosso povo judeu<\/em><br \/>\n<em>Decidiu eliminar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>&#8211; Esse Decreto j\u00e1 foi<\/em><br \/>\n<em>Pelo rei sancionado<\/em><br \/>\n<em>Armou para n\u00f3s a forca<\/em><br \/>\n<em>O dia j\u00e1 est\u00e1 marcado<\/em><br \/>\n<em>Matar\u00e1 todo judeu<\/em><br \/>\n<em>Que n\u00e3o ver ajoelhado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>&#8211; Meu tio, responde Ester<\/em><br \/>\n<em>Eu nada posso evitar<\/em><br \/>\n<em>Pois quem se apresenta ao rei<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Nenhum pr\u00eamio, majestade&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Responde o escriba ao rei<\/em><br \/>\n<em>Ent\u00e3o Assuero disse:<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Agora compensarei<\/em><br \/>\n<em>O grande favor prestado,<\/em><br \/>\n<em>Gratid\u00e3o \u00e9 uma lei!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>No outro dia Aman<\/em><br \/>\n<em>Foi ao Pal\u00e1cio enredar<\/em><br \/>\n<em>Quando Assuero o viu<\/em><br \/>\n<em>Tratou de lhe perguntar:<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Que deve ser feito ao homem<\/em><br \/>\n<em>Que o rei pretende honrar?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Pensando que era pra si<\/em><br \/>\n<em>Aquela grande honraria<\/em><br \/>\n<em>Aman disse: &#8211; Majestade<\/em><br \/>\n<em>Eis ent\u00e3o o que eu faria<\/em><br \/>\n<em>Com minhas roupas reais<\/em><br \/>\n<em>Este homem eu vestiria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Depois o faria montar<\/em><br \/>\n<em>Um cavalo ajaezado<\/em><br \/>\n<em>Com os arreios de ouro<\/em><br \/>\n<em>E o bras\u00e3o do reinado<\/em><br \/>\n<em>Por algu\u00e9m muito importante<\/em><br \/>\n<em>Ele seria puxado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>E nas ruas da cidade<\/em><br \/>\n<em>O guia deve bradar<\/em><br \/>\n<em>Assim o rei Assuero<\/em><br \/>\n<em>Manda agora publicar:<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Este \u00e9 um homem de bem<\/em><br \/>\n<em>Que o rei pretende honrar!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>&#8211; Muito bem, diz Assuero<\/em><br \/>\n<em>Bonito plano, este seu<\/em><br \/>\n<em>Mande selar meu cavalo<\/em><br \/>\n<em>Da forma que concebeu<\/em><br \/>\n<em>E nele fa\u00e7a montar<\/em><br \/>\n<em>Nosso amigo Mardoqueu.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Aman ficou constrangido<\/em><br \/>\n<em>Mas resolveu perguntar<\/em><br \/>\n<em>Qual o homem, majestade<\/em><br \/>\n<em>Que o cavalo ir\u00e1 guiar<\/em><br \/>\n<em>Disse o rei: &#8211; \u00c9s tu, Aman<\/em><br \/>\n<em>Quem o deve anunciar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Aman saiu se mordendo<\/em><br \/>\n<em>Foi o cavalo arrear<\/em><br \/>\n<em>Depois mandou Mardoqueu<\/em><br \/>\n<em>Sobre o mesmo se montar<\/em><br \/>\n<em>Mas intimamente dizia<\/em><br \/>\n<em>Em breve irei me vingar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Ester n\u00e3o disse mais nada<\/em><br \/>\n<em>Tratou de se retirar<\/em><br \/>\n<em>Chamou as suas criadas<\/em><br \/>\n<em>Foi depressa preparar<\/em><br \/>\n<em>O banquete que em breve<\/em><br \/>\n<em>Ela haveria de dar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>No outro dia Aman<\/em><br \/>\n<em>Pelo rei foi convidado<\/em><br \/>\n<em>Por\u00e9m, como ignorava<\/em><br \/>\n<em>O que estava preparado<\/em><br \/>\n<em>Compareceu orgulhoso<\/em><br \/>\n<em>Bastante lisonjeado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Na presen\u00e7a do ministro<\/em><br \/>\n<em>Assuero perguntou<\/em><br \/>\n<em>Diz-me agora, \u00f3 rainha<\/em><br \/>\n<em>Por que raz\u00e3o me chamou?<\/em><br \/>\n<em>Ent\u00e3o Ester decidida<\/em><br \/>\n<em>Por esta forma falou:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>&#8211; Majestade eu tenho a honra<\/em><br \/>\n<em>De ser a tua consorte<\/em><br \/>\n<em>Por\u00e9m a m\u00e3o do destino<\/em><br \/>\n<em>Quer turvar a minha sorte<\/em><br \/>\n<em>Porque o meu pr\u00f3prio povo<\/em><br \/>\n<em>Est\u00e1 condenado \u00e0 morte!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Diz o rei: &#8211; Quem concebeu<\/em><br \/>\n<em>Este plano t\u00e3o malvado?<\/em><br \/>\n<em>Por que motivo o teu povo<\/em><br \/>\n<em>\u00c0 morte foi condenado?<\/em><br \/>\n<em>Disse ela: Foi Aman<\/em><br \/>\n<em>Ele \u00e9 o grande culpado!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Pois este homem se julga<\/em><br \/>\n<em>Acima do pr\u00f3prio Deus<\/em><br \/>\n<em>Quer que todos se ajoelhem<\/em><br \/>\n<em>E cumpram os des\u00edgnios seus<\/em><br \/>\n<em>Por isso ele planeja<\/em><br \/>\n<em>Exterminar os judeus.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>Quando ela disse aquilo<\/em><br \/>\n<em>Aman n\u00e3o p\u00f4de falar<\/em><br \/>\n<em>Tremia ali de pavor<\/em><br \/>\n<em>Sem puder se explicar<\/em><br \/>\n<em>E o rei indignado<\/em><br \/>\n<em>O mandou encarcerar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><em>No outro dia Aman<\/em><br \/>\n<em>\u00c0 morte foi condenado<\/em><br \/>\n<em>Na forca que ele havia<\/em><br \/>\n<em>Pra Mardoqueu preparado<\/em><br \/>\n<em>Por um capricho da sorte<\/em><br \/>\n<em>Foi nela pr\u00f3pria enforcado.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Quem poderia imaginar! 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